O livro
Villas-Bôas Corrêa
Coluna Coisas da Política, do Jornal do Brasil
Remexendo na estante das velharias, encontrei um pequeno livro de 103 páginas da Livraria Pioneira Editora de São Paulo, datado de 1957, na 5ª edição e que à época alcançou enorme sucesso internacional. O título cutucará na memória dos que passaram pela faixa dos 70: A Lei de Parkinson, de autoria do professor Northcote Parkinson, alcançou notoriedade como historiador, especializado em história econômica e sociologia, e é a fonte da Escola do Absurdo.
A tradução impecável de Silveira Sampaio desencadeia lembranças do autor de peças de sucesso para teatro e televisão, pioneiro como entrevistador bem-humorado e culto. Morreu moço e não deixou substituto.
Voltemos ao fio da meada. A Lei de Parkinson é um achado genial de transparente simplicidade. Não cabe em definição linear, vai sendo desenrolada no carretel de máximas, axiomas e exemplos que sustentam a tese da sólida burrice da burocracia autofecundante, expansiva e que se infiltra em todos os ramos da administração pública ou privada.
Nas primeiras linhas passa o seu recado: “O trabalho aumenta a fim de preencher o tempo disponível para sua conclusão. A prova disso é que o homem mais atarefado é aquele que dispõe de horas vagas.” No jogo dos paradoxos, desdobra o raciocínio: “Admitindo-se que o trabalho (e especialmente o trabalho com papéis) é elástico na sua exigência de tempo, é claro que haverá pequena ou nenhuma relação entre o trabalho a ser feito e a quantidade de pessoas a executá-lo.” Adiante: “O fato é que o número de funcionários e a quantidade de serviço não estão relacionados entre si. A elevação do total de empregados é governada pela Lei de Parkinson e seria a mesma, quer o volume de serviço aumentasse, diminuísse ou mesmo desaparecesse.”
Enumera as duas “força motivo” representadas por verdades quase axiomáticas: 1) Um chefe de seção está sempre disposto a aumentar o número de seus subordinados, desde que não sejam seus rivais; 2) Os chefes de seção inventam trabalho uns para os outros.
Convém saltar algumas páginas para aterrissar no espaço exato de maior interesse e suas implicações com o inchaço do governo do presidente Lula.
Ao analisar os esforços feitos para salvar o Conselho Privado durante o Reinado da Rainha Elizabeth I, em 1939, o autor baseia-se na comparação com o Secretariado dos Estados Unidos, que “tinha o número apropriado de cinco membros em 1789, ainda apenas sete em 1840, nove em 1901, dez em 1913, 11 em 1945, e então, contra toda a tradição, tinha voltado novamente para dez em 1953.”
Título: A lei de Parkinson
ISBN: 978.85.209.2106-7
Formato: 14 x 21cm
Nº de páginas: 128